CRÔNICAS DO COTIDIANO: Os medos da Faria Lima não precisam ser nossos

Por Walmir de Albuquerque Barbosa*

Dizem que a velhice, para os que a alcançam, nos libera das amarras do dizer. Em outras palavras, nossas irreverências são frutos do domínio da linha do tempo, da atitude mais reflexiva e, em certos casos, por pressentirmos de longe o cheiro da “canalhice humana”, o que nos torna mais assertivos quando não somos preconceituosos ou conservadores empedernidos. Isso não nos exime do ditado popular e da infeliz verdade de que “os canalhas também envelhecem”. Apesar de tudo isso, que parece um “faro” ou poder compensatório para as mazelas, muito pouco podíamos fazer:  desacreditados, expulsos das lides institucionais pela “inatividade decretada” ou presumida. Não é raro ouvir-se estória de velhos de nossa geração: todos os dias, depois que cantaram o parabéns e comeram o bolo de aniversário, os colegas não davam mais bom dia, perguntavam, apenas, quase que uníssonos, “quando o senhor vai pedir a aposentadoria”? Os velhos pouco contam, apesar de continuarem, em vários casos, provedores das famílias. A conquista dos seus direitos, nem sempre é respeitada. Haja vista a vigilância moral de parte da sociedade que pensa em herança, severa para “protegê-los”. Sem falar na hipocrisia das “Filas Preferenciais”, programada pelos computadores para chamar as senhas preferenciais na razão de uma entre cada seis, na fileira de guichês em funcionamento e do suplício de alguns idosos maltratados por cuidadores criminosos. Assim,  velhos, quando desprezados pelos seus, perdem a noção do tempo, sofrem à espera do nada!

Mas, não é somente disso que pretendo falar, porque já falei bem explicado, sem generalizar. Quero falar de política, coisa que nos anima e põe em marcha rumo ao futuro, mesmo que digam que nosso futuro é a morte. Agora, as estatísticas comprovaram: as mulheres, uma vez mais, são maioria do eleitorado, embora sejam minoria nos partidos, nos postos de poder da vida nacional; e os idosos que se enquadram dentro dos parâmetros legais da velhice atingiram 19% da população. Como se ouve por aí: agora vão ter que nos engolir! Temos as nossas reivindicações! Nos falta um Manifesto, um Sindicato, talvez um Partido dos Idosos ou, simplesmente, aguçar nossos ouvidos para o que estão dizendo e que está escrito nos Planos de Governo que foram registrados com as candidaturas na Justiça Eleitoral e no que andam propalando os “mágicos”, candidatos a futuros gênios na Gestão da Economia, envolvidos no detalhamento dos Planos de Governo dos Candidatos. Quase todos os Planos atendem aos desejos da Faria Lima, ou “Faria Limers”, expressão da Elite Financeira do Brasil, escondida no anonimato,  mandando no Boletim Focus do Banco Central como se fosse seu, que dita a taxa de juros, que ameaça o sistema Financeiro do País se não Cortar Gastos e Reduzir a Dívida Pública,  que financia a imprensa convencional, que contrata influencers e paga convescotes das mais variadas categorias de políticos, de ministros do judiciário e outras “brincadeiras” não republicanas e, certamente,  fará o caixa dois das próximas eleições, como sempre. Têm medo que o Governo acabe com essa farra!

Com o peso que temos na pirâmide social dos vivos no Brasil, Velhos de Todos os Estados e de Todos os Naipes da Vida, Despertai e Uni-vos! Não importa a sua maioridade, de 60 ou 80, a sua Religião, o seu estado de saúde, o seu nível educacional, a sua profissão. Pense em você, sem egoísmo, mas com a coragem acumulada em seus cabelos brancos, pois quase todos os candidatos aos cargos eletivos do país estão com o rabo preso nos interesses dos poderosos e dizem, claramente ou sub-repticiamente, em planos registrados no TSE: vamos privatizar tudo, vamos Acabar ou Reduzir o Tamanho do Estado; vamos enfraquecer o SUS, aquele que garante a UPA, a Unidade de Saúde de seu Bairro, o seu Remédio Gratuito; vamos acabar com a Escola  Pública e a esperança  dos Netos ao Curso Superior. E o pior, e sobretudo, dizem que Desvincularão os Reajustes das Aposentadorias do Reajuste do Salário Mínimo que, por sua vez, não terá ganhos reais, além da inflação, como querem os economistas de mercado, a mando de seus patrões, para “Consertar a Economia”. Nos Palanques, falarão em Corte de Gastos:“É mentira, Terta!”. Eles estão jurando para o Altíssimo, não dos Céus, mas do Mercado Financeiro, que meterão a mão no seu bolso!

*Professor aposentado do curso de Jornalismo (Decom/FIC-Ufam), jornalista profissional.