CRÔNICAS DO COTIDIANO: “É a Economia, Estúpido”

Por Walmir de Albuquerque Barbosa*

“Essas questões de economia, finanças, dívida pública e distribuição de  riquezas são importantes demais para serem deixadas nas mãos de um grupo reduzido de economistas e especialistas, muitas vezes bastante conservadores… Essa democratização do saber econômico e histórico pode, deve e tem de se tornar parte importante  de um movimento visando a democratização da sociedade em seu conjunto e a melhor distribuição do poder” (PIKETTY, Thomas. Natureza, Cultura e Desigualdades: uma perspectiva comparativa e histórica. RJ: Civilização Brasileira, 2024, p. 93-94). Penso da mesma forma, escolhi essa obra e esse autor por sua autoridade intelectual e moral para enfrentar o desconforto que todos os dias se nos apresentam os ditos profissionais da economia de mercado em conluio com a imprensa, atordoando as nossas mentes, tocando o terror e  prestando serviços ao patronato da elite financeira, sem que tenhamos a menor chance de opinar, porque a nossa sociedade patrimonialista lhes deu um “poder de fala” (essa invenção excludente e burra) que confere a alguns mortais a condição identitária ou de especialidade para intuir e expressar os seus sentimentos, conhecimentos ou desconhecimentos, a serviço daqueles a quem serve, mas sobre coisas da vida coletiva, portanto, de todos nós. Eis o problema: quem é esse nós?

Não basta ser brasileiro, precisa ser cidadão do mundo para situar-se nesse nós do qual falamos. Nessa condição, ficam evidentes as nossas limitações devido as desigualdades que historicamente colaram em nós, tomaram de assalto o saber que tínhamos e a nossa consciência. Essas deficiências nos constrangem, nos confundem e nos enfraquecem na compreensão do que tanto necessitamos compreender. A dominação dos poderosos trabalha dia e noite com suas artimanhas nos seduzindo, nos encorajando na tomada de decisões e estas, uma vez tomadas, podem até nos levar para o brejo. Portanto, a hora da urna é crucial e não podemos nos deixar seduzir pela mentira. Culturalmente somos afeitos às dicotomias, aquilo que divide os que sabem dos que não sabem, especialistas de generalistas; e pela famosa crença da compartimentalização dos saberes, cada um no seu quadrado, o doutor nisso e doutor naquilo. Acontece que, como disse o estrategista da campanha vitoriosa de Bill Clinton contra George H.W.Bush (EUA, 1992), “é a economia, estúpido” que está na base da vida social. Seja no modo capitalista de pensar, seja na visão da economia política marxiana, a economia é o ponto central que define o bem-estar social ou as desventuras de uma sociedade desigual como a nossa. É claro que as elites inculcam na cabeça do povo, aproveitando suas limitações, o que mais lhes interessa. Para os financistas e seus economistas, a culpa é toda de um governo que gasta com pobres, sem pronunciar jamais essa palavra em tempos de eleição, pois a maioria é pobre e vota! Mimeticamente se preocupam com o Corte de Gastos, o Equilíbrio das Contas Públicas, o Desaquecimento da Economia, a Desvinculação dos Gastos Constitucionais Obrigatórios. O que estão querendo dizer sem dizer? É não mais conceder reajustes: ao Salário Mínimo, ao Benefício de Prestação Continuada e aos Aposentados; acabar com os programas sociais como Bolsa Família, Prouni e outros. Equilíbrio das Contas Públicas, para eles, é diminuir gastos e sobrar dinheiro para pagar os juros aos Banqueiros. Embora, o Dinheiro gasto pelo Estado venha do pagamento dos impostos pagos pelos cidadãos quando prestam serviço, quando ganham salários e pagam a previdência, quando compram qualquer produto industrializado ou in natura, quando extraem e vendem produtos naturais de todas as espécies, quando vendem sua força trabalho ou por quem recebe a concessão para explorar um bem coletivo mineral ou não, os empresários mentem e dizem que são eles que sustentam o Estado. Quando o empresário sonega o que cobrou dos consumidores comete crime, pois ficou com o dinheiro que você pagou de imposto. A Dívida Pública é alta, mas o importante é a qualidade do gasto. A Elite Financeira quer mesmo é privatizar a educação pública (Acabar com as Escolas Publicas), a Saúde Pública (Acabar com o SUS), entregando tudo à iniciativa privada. Quer o desemprego para Desaquecer a Economia, diminuindo o consumo e sucatear a indústria. Enfim,  quer se assenhorar da  força de trabalho, da nossa inteligência e do Estado Democrático!

*Professor aposentado do curso de Jornalismo (Decom/FIC-Ufam), jornalista profissional.