Por Walmir de Albuquerque Barbosa*
Não estou falando do Filme de Comédia que tem esse título; não estou falando da canção de Falcão, de 2016; não estou falando dos vários achados para caracterizar hábitos, modas como a pantalona, as camisas quadriculadas ou com florais, para homens, que vão e que voltam; ou com tudo que parece inusitado, mas é um repeteco de coisas que apareceram, tiveram seu culto ou auge, sumiram sem fazer alarde, mas emergiram sem que ninguém esperasse. Portanto, a volta dos que não foram, aqui, não tem patente enquanto título, não tem dono, é uma dessas coisas de domínio público, que não se sabe como começou. Falcão diz, na letra de sua música, que começou com Pedro Álvares Cabral. Os lusitanos contestam, dizem que já existia na “santa terrinha”. Coisas boas da Língua Portuguesa que podem ser usadas em muitas ocasiões, sem distinção de classes, mesmo que, às vezes, se refiram à coisas ruins. E foi assim que aconteceu: a volta das taxas do Trump; pela enésima vez, a reabertura das negociações com o Irã, ao mesmo tempo que recomeçam os bombardeios; as previsões catastróficas para 2027, apesar dos pregoeiros erráticos (com base na Bola de Cristal da Faria Lima) terem sido derrotados nesses 3 últimos anos; a volta dos caras-de-pau, que estão retornando à politica com mesma desfaçatez, “cunhando” a sua marca registrada. O que aparece como novidade, sem ter sido, é “A Volta da CIA” (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos da América) ao noticiário brasileiro. A Agência Americana (CIA), a Agência Israelense (Mossad), a Agência Russa, herdeira da KGB soviética e agora descentralizada, são as mais famosas e seus trabalhos são permanentes. A nossa ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) parece um pouco diferente, mais preocupada com o “inimigo interno”, vício herdado da antecessora, o SNI (Serviço Nacional de Informação), famoso no período da Ditadura pela “deduragem” de políticos, intelectuais, estudantes, lideranças sindicais, líderes dos movimentos sociais, artistas em geral e, até, de vizinhos, dos quais não gostavam seus agentes por motivos triviais, ou por ter um filho seu que tentou tomar o pirulito do coleguinha e levou a pior. Essas agências se justificam na estrutura de seus respectivos Estados como parte do seu sistema de Segurança Nacional, separadas de outros, que cuidam da Segurança Interna. O Caso da CIA, que nunca foi, embora hibernado por uns tempos, mudou um pouco de foco. De repente: “voltei, Brasil”! E, ao que parece, mais que nunca, está aqui porque sentiu o cheiro forte de entreguistas e de uma matilhas de vira-latas, que facilitaram o seu trabalho.
A CIA cumpre o seu papel a mando do Imperialismo Norte Americano e seus agentes infiltram-se em todos os círculos sociais que lhes ofereçam interesse. No Pós-Guerra, tinham a tarefa de abrir os caminhos para a Guerra Fria, desestabilizar jovens democracias, orquestrar ditaduras latino-americanas, orientar ditadores e garantir os interesses das empresas multinacionais americanas, que dominavam as economias dos países satélites dos EUA e refutavam qualquer iniciativa que as obrigasse a pagar impostos sobre as vultosas remessas de lucros para suas matrizes. Como se vê, a política parece ser o seu mister, mas o domínio econômico é o seu foco principal. Depois de liquidar com o multilateralismo, o governo Trump sonha com uma nova era de esplendor e conta com a CIA para reconquistar os nichos de riqueza que foram assumidos internamente por financistas mais independentes das orientações do mercado bilateral americano e que deitam e rolam nas Bolsas de Valores, nos Boletins Focus da Vida e nas teias dos negócios mirabolantes, que garantem a desigualdade social e a concentração de renda. Esse é o porém, que pode dificultar os novos objetivos dos invasores. O ato dessa volta da CIA foi revelado com pompa pelo Senador e Pré-Candidato à Presidência da República que, em discurso para diplomatas convidados, fez uso de um relatório da dita cuja, que lhe fora confiado, repetindo falsas denúncias sobre o sistema eleitoral e insultos que deram fôlego à tentativa de golpe no 08 de janeiro de 2023. Nas hostes do candidato não faltaram “colaboracionistas” para aplaudir. Por outro lado, aliados e financistas da campanha acenderam o botão de alerta: tem passarinho querendo bicar a nossa fruta! Moral da estória: o “ungido do pai” foi desmoralizado! Mas ficou o aviso: a CIA e o ilusionismo estão no ar!
*Professor aposentado do curso de Jornalismo (Decom/FIC-Ufam), jornalista profissional.



