Protagonismo feminino será tema central da IV Jornada Panamazônica de Folkcomunicação

Por Luís Castro*

A cidade de Parintins (AM), situada no Baixo Amazonas, receberá, entre os dias 22 a 24 de junho de 2026, a 4ª edição da Jornada Panamazônica de Folkcomunicação. O evento, promovido pelo Grupo de Pesquisa em Comunicação, Cultura e Amazônia – Trokano e apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), terá como tema central o protagonismo feminino nos processos comunicacionais populares.

A edição marca o retorno da Jornada, que aconteceu pela última vez em junho de 2022, também em Parintins. A programação neste ano será presencial no Instituto de Ciências Sociais e Zootecnia da Universidade Federal do Amazonas (Icsez-Ufam) e no campus da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) no município, além de contar com transmissão ao vivo pelo canal do Portal da Ciência no YouTube.

A programação do evento conta com mesas-redondas, conferências nacionais e internacionais, oficinas temáticas e grupos de trabalho com apresentação de pesquisas científicas. Mais de 20 convidados integrarão os três dias de imersão na Jornada, que marca um momento de integração entre sociedade, comunidade acadêmica e científica e cultura popular.

A conferência de abertura contará com a Profª. Dra. Vanessa Calvimontes Diaz, da Universidade de Salamanca (Espanha). Ao Portal da Ciência, ela destacou a relevância do eixo principal da Jornada, o apontando como uma oportunidade de diálogo entre os estudos folkcomunicacionais e de gênero.

Profª. Dra. Vanessa Calvimontes Diaz, da Universidade de Salamanca (Espanha). Foto: Reprodução

“Em muitos casos, as mulheres têm sido realmente guardiãs de uma memória coletiva, agentes folkcomunicacionais da construção de identidades e significados compartilhados. A folkcomunicação tem um papel fundamental em identificar, documentar e analisar essas formas de comunicação e reconhecer quem tem sido protagonista nesses processos. Acredito que essa é a contribuição, ajudar a tornar essas formas de conhecimento e significados mais visíveis, e justamente por isso acho muito relevante que a Jornada tenha escolhido esse tema”, detalhou a professora.

Da mesma maneira, para a Profª. Dra. Karina Janz Woitowicz, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que integrará o painel de mesas da Jornada, as discussões que vão nortear o evento servirão como estímulo para futuros estudos que abordem questões de gênero.

Profª. Dra. Karina Janz Woitowicz, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Foto: Reprodução

“A pesquisa em folkcomunicação tem muito a crescer e certamente essa Jornada acaba sendo um marco para reunir as reflexões, as pesquisas, as experiências que atuam nessa interface e vão se tornar base para os estudos que vêm daqui para frente. Espero que seja um estímulo para que a gente coloque as demandas de gênero nesse contexto da pesquisa, que elas recebam esse olhar atento da folkcomunicação para que a gente possa ter cada vez mais estudos que reflitam sobre essas temáticas e que consigam trazer uma abordagem da interseccionalidade”, declarou Woitowicz, que também é editora da Revista Internacional de Folkcomunicação (RIF) desde 2012.

Participantes garantem certificação e têm chance de publicar trabalhos

Os inscritos na IV Jornada Panamazônica de Folkcomunicação terão certificação de 30 horas de atividades, além de 8 horas garantidas por cada oficina e minicurso realizados ao longo do evento.

Além disso, os melhores trabalhos acadêmicos dos Grupos de Trabalho (GT), que poderão ser apresentados de forma presencial ou remota, serão publicados em um capítulo de e-book. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso ao conhecimento e a divulgação científica e fortalece Parintins como um polo de produção de saberes e cultura na região amazônica.

*Repórter do Portal da Ciência, sob a supervisão do Prof. Me. Gabriel Ferreira.