CRÔNICAS DO COTIDIANO: Poderes do Estado, Ratos e Jornalismo Perverso

Por Walmir de Albuquerque Barbosa*

É uma conspiração infernal, mas não é verdadeira! Há diferenças entre tipos de conspiração: do ponto de vista jurídico, é um acordo secreto de organizações criminosas para gerar prejuízos às pessoas, grupos ou instituições, e compete aos Poderes do Estado, sobretudo aos aparelhos repressivo e judicial, apurar, desvendar, coibir e punir; na vida cotidiana, a conspiração visa a criação de animus, o que favorece a disseminação da mentira, da dissimulação da inverdade vestida de autoridade para criar ou fortalecer “mitos”, “lendas urbanas” ou o que se convencionou chamar de “teorias conspiratórias”. Agentes (os Ratos) infiltrados nas comunidades, nos aparelhos de estado (Poderes da República), em agremiações de todas as modalidades e, até mesmo, organizações culturais e educacionais abrem caminhos com informações difusas para distorcer o real e angariar vantagens. Como um observatório da realidade social para produzir informação, análise crítica, promover o debate público e a formação de opinião, o Jornalismo tem compromissos com a verdade e degenera-se ao valer-se dos Ratos e seus asseclas para desvirtuar, constranger e destruir a imagem de pessoas, grupos, instituições e, no seu mais alto grau, os Poderes do Estado. No Brasil, estamos revivendo tempos de um Jornalismo Perverso e que, entre nós, tem nome, método, roteiro de novela e falsos jornalistas: é Jornalismo Lavajatista, apontado por alguns de 2.0. E o que é isto?!

A “Operação Lava Jato” é o nome dado à operação da Polícia Federal e ao processo voltados a apurar denúncias de corrupção no país. Devido aos seus excessos, desvios de função, práticas de conluio entre autoridades policiais, PGR, Judiciário e Delatores, atingiu Empresas Estatais e privadas e teve parte de suas sentenças anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, dentre elas a que levou à prisão o então ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e durou entre os anos de 2014 a 2021. A operação ganhou destaque pelo ineditismo judiciário apurando crimes de “colarinho banco” no país e, sobretudo, pela atuação da Imprensa que abraçou a causa e fez dela o seu momento de alcance nacional. Vários jornalistas se entregaram de corpo e alma às investigações e muitos deles, de tal forma, que viraram colaboradores da operação e têm até hoje a sua reputação profissional contestada. Muitos ultrapassaram os limites que separam o jornalismo do denuncismo crimiminoso de fatos. O que aparecia na imprensa não era notícia e sim denúncia ajustada aos interesses dos patrões ou a seus interesses pessoais para incitar a opinião pública e favorecer novos blocos de poder  à direita do espectro político nacional. O saldo foi danoso para o sistema de justiça, para a verdade dos fatos e para o Jornalismo Investigativo, que tornou-se um Jornalismo Marrom, de difamação e deturpação dos fatos e formador de opinião pública que esqueceu a verdade, abriu os braços para a extrema direita fascista, tornada um sólido bloco de poder e, como se sabe, mais tarde nos arrastou a uma tentativa de Golpe de Estado em 2023. O método do jornalismo lavajatista está calcado não em fontes fidedignas, dados, documentos pobatórios e depoimentos de fontes confiáveis. Pelo contrário, opera hackeando dados espúrios fornecidos por alcaguetes,  lobistas e infiltrados ideológicos nos bastidores do poder e até na cooptação de pessoas para cometimento de crimes de vazamento de informações. Este é o modus operandi do “jornalismo lavajatista”, que está de volta e agita a mídia tradicional e os portais de notícia inidôneos na internet.

O momento que vivemos é sintomático ante a derrota do projeto da extrema direita no Brasil em 2022 e o desacordo entre os grupos de poder que se dizem de Direita. A mídia brasileira, tanto a que cresceu na Internet com portais de mídia e a mídia convencional que busca reaver o financiamento para seu modelo de negócios veem neste momento de disputa eleitoral e ideológica a  oportunidade de recuperar o seu público. Assim, nada mais oportuno que dar espaço e prestígio aos velhos jornalistas lavajatistas, que estão nos grandes conglomerados de Comunicação do país e nos Portais de Comunicação Próprios, com os seus métodos escusos, com sua sede de poder, de dinheiro e vaidade. Querem quebrar a República e o Estado Democrático de Direito!

*Professor aposentado do curso de Jornalismo (Decom/FIC-Ufam), jornalista profissional.